Às vezes dá uma certa frustração quando a resposta para uma pergunta é simplesmente: depende. Mas, neste caso, não tem como fugir — a resposta é exatamente essa: depende.
Depende de quê? Da proposta do torrador, da identidade da marca e, principalmente, da experiência sensorial que se quer entregar na xícara, pois cada grão é tratado de diferente aproximação energética, isso faz com que a estrutura molecular do café mude muito de grão para grão.
Aqui na Montañita, trabalhamos com diferentes perfis de torra para cada café. E mais: eles nem sempre são torrados exatamente da mesma forma. Há momentos em que buscamos realçar nuances mais frutadas; em outros, o desafio é preservar notas herbais delicadas. Cada lote, cada safra e até cada clima nos convidam a tomar decisões diferentes.
Temos cafés que simplesmente brilham — verdadeiros “show de bola” — mas que atingem seu ápice sensorial somente após cerca de três semanas depois da torra. Por outro lado, quase nenhum dos nossos cafés especiais expressa todo o seu potencial em menos de quatro dias. Nos primeiros dias, eles já são saborosos, claro, mas ainda exigem bastante ajuste na extração. São como cavalos selvagens: cheios de energia, intensos, mas ainda difíceis de entender.
Então, nossa recomendação é simples:
Primeiro: evite a ansiedade quando repara que está ficando sem café.
Segundo: converse com o seu fornecedor — bons torradores e baristas conhecem profundamente o seu ofício.
Terceiro: se aventure a explorar o mundo sensorial do seu grão até chegar ao ápice dele utilizando como uma das suas ferramentas o tempo.
Nós, da Montañita, acreditamos que cada grão tem uma história que se revela aos poucos — e vale a pena acompanhar cada etapa dessa jornada.
